BMW registra patente de parafuso exclusivo e reacende debate sobre o direito ao reparo

A BMW registrou recentemente uma patente que chamou a atenção do setor automotivo e de profissionais da área técnica: um parafuso com cabeça em formato inspirado no logotipo da própria marca, que só pode ser removido com uma ferramenta específica desenvolvida pela fabricante.

O registro foi feito no Escritório de Propriedade Intelectual da União Europeia e descreve explicitamente que o design do componente impede o uso de ferramentas convencionais, como chaves Torx ou sextavadas, dificultando a remoção por pessoas “não autorizadas”.

Como funciona o parafuso exclusivo

O diferencial está no formato assimétrico da cabeça do parafuso, baseado na tradicional hélice azul e branca da BMW. Esse desenho exige uma chave sob medida, fabricada exclusivamente para se encaixar nesse padrão.

Na prática, isso significa que apenas concessionárias ou oficinas autorizadas, com acesso às ferramentas corretas, conseguiriam realizar a remoção e reinstalação da peça.

Argumento da BMW

De acordo com a descrição da patente, o objetivo é:

  • Aumentar a segurança em componentes sensíveis do veículo;

  • Evitar intervenções inadequadas;

  • Garantir padrões de qualidade nos reparos;

  • Proteger a engenharia e as soluções técnicas da marca.

Críticas e preocupação do mercado

A iniciativa, no entanto, foi recebida com preocupação por mecânicos independentes e defensores do direito ao reparo. Para eles, a adoção de componentes que exigem ferramentas proprietárias pode:

  • Elevar o custo de manutenção para os consumidores;

  • Limitar a concorrência entre oficinas;

  • Aumentar a dependência das concessionárias;

  • Reduzir a autonomia do proprietário sobre o próprio veículo.

O site especializado CarBuzz, que divulgou a patente inicialmente, ironizou a criação ao afirmar que a BMW estaria “parafusando” o trabalho dos mecânicos independentes, prevendo dificuldades práticas e financeiras caso o sistema seja adotado em larga escala.

Vai chegar aos carros de produção?

Até o momento, não há confirmação de que o parafuso será utilizado em veículos comercializados. No setor automotivo, é comum que empresas registrem patentes apenas para proteger ideias e tecnologias, sem que elas necessariamente cheguem ao mercado.

Ainda assim, o caso reforça um debate cada vez mais atual:
👉 até que ponto a inovação tecnológica pode limitar o direito do consumidor de reparar e manter seus próprios bens?

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