Imagine pagar por algo que você nunca consumiu. É exatamente o que acontece quando bolhas de ar passam pelo hidrômetro da sua residência: o medidor registra ar como se fosse água, e a concessionária cobra normalmente. Um engenheiro mineiro patenteou um dispositivo simples que elimina esse problema — e pode representar economia de até 35% na conta de água.
O problema das bolhas de ar nos hidrômetros
Hidrômetros medem o volume de fluido que passa por dentro deles, sem distinguir se é água ou ar. Quando a concessionária interrompe o fornecimento por manutenção ou reparo e depois religna, ar entra na tubulação e percorre toda a rede até os pontos de consumo. Esse ar passa pelo medidor e é registrado como consumo. Em regiões com fornecimento intermitente — onde cortes frequentes são comuns — o problema é crônico e o impacto na conta pode ser significativo.
A variação na economia depende da frequência dos cortes e das condições gerais da rede hidráulica. Em áreas com fornecimento estável, o ganho é menor. Em regiões com cortes frequentes, estudos realizados com o dispositivo apontaram economias entre 10% e 35% na conta mensal de água.
A invenção: Water Control (PI9200149)
Em 1991, o engenheiro-mecânico José Denísio Pereira, de Minas Gerais, desenvolveu e patenteou o Eliminador de Ar de Hidrômetro, comercialmente denominado “Water Control”. O número de patente INPI é PI9200149. O dispositivo é instalado antes do hidrômetro — na entrada da ligação domiciliar — e funciona de forma passiva, sem necessidade de energia elétrica ou manutenção frequente.
O equipamento é composto por uma parte fixa (itens 1, 2 e 7) e uma parte móvel (itens 3, 4, 5 e 6). Quando ar entra pela tubulação, a parte móvel responde à diferença de pressão e densidade entre ar e água, impedindo que o fluxo de ar passe pelo hidrômetro. Quando a água retorna com pressão normal, a parte móvel libera o fluxo regularmente. O mecanismo foi validado por laudo técnico da então Escola Federal de Engenharia de Itajubá (EFEI), em Minas Gerais.
Da patente ao mercado: trajetória do inventor
Após vários anos tentando viabilizar regionalmente o invento, Pereira fundou em 1998 a Dolphin Industrial, empresa dedicada exclusivamente à fabricação do eliminador de ar. No ano seguinte, em 1999, recebeu o Prêmio Inovação Tecnológica concedido pelo Sebrae de Minas Gerais. A empresa chegou a capacidade de produção de cerca de 40 mil unidades por mês e iniciou a formação de uma rede de representantes em todo o país.
O produto é fabricado em três tamanhos e disponível em plástico ou bronze, de acordo com o diâmetro do hidrômetro. Os preços variavam, segundo informações da época, entre R$ 250 e R$ 3.000, dependendo do material e do tamanho. A instalação demora cerca de 40 minutos e exige intervenção no miolo da chave de ignição e no cilindro mestre de freio — ou seja, é necessário um profissional habilitado.
Conflito com as concessionárias e relevância atual
A comercialização do Water Control não foi isenta de resistência. Em 2002, a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro) se posicionou contra o produto, alegando que a redução nos valores das contas representaria perda de receita para a empresa. O conflito ilustra uma tensão clássica no campo das invenções: soluções que economizam recursos para o consumidor podem ameaçar a receita de fornecedores e concessionárias.
O caso do eliminador de ar de hidrômetro permanece relevante no contexto da crise hídrica brasileira e das discussões sobre eficiência no uso da água. O desperdício por falha de medição é um dos pontos cegos das políticas de conservação hídrica — e invenções como esta mostram que parte da solução pode estar em dispositivos simples, patenteados por inventores independentes.
Perguntas Frequentes
O eliminador de ar de hidrômetro é aprovado pelas concessionárias de água?
A aceitação varia por concessionária. Algumas reconhecem o benefício do dispositivo para a precisão da medição, enquanto outras — como a Cedae em 2002 — resistiram à adoção alegando impacto na receita. O dispositivo em si não danifica o hidrômetro e é instalado antes dele, na tubulação de entrada.
Quanto posso economizar com o eliminador de ar de hidrômetro?
A economia estimada é de 10% a 35% na conta de água, dependendo da frequência de cortes no fornecimento e das condições da rede hidráulica local. Em regiões com fornecimento estável e poucos cortes, o impacto tende a ser menor.
Onde posso comprar o eliminador de ar de hidrômetro?
O produto foi fabricado pela Dolphin Industrial e distribuído por representantes em vários estados. Para localizá-lo atualmente, recomenda-se buscar diretamente com distribuidores de materiais hidráulicos ou lojas especializadas, informando o número da patente INPI PI9200149.
A instalação do dispositivo exige algum profissional especializado?
Sim. A instalação demora cerca de 40 minutos e deve ser feita por um profissional habilitado, pois envolve intervenção na entrada de água da edificação, antes do hidrômetro. Não é um produto de instalação doméstica sem assistência técnica.
