O professor Wander Marcelo Moio, filiado à Associação Nacional dos Inventores (ANI), criou um produto que une tradição religiosa e tecnologia: o campanário didático, um relógio analógico multifuncional projetado para ajudar fiéis da Igreja Católica a compreender os tempos litúrgicos e a tradição do toque dos sinos.
O problema que motivou a invenção
A motivação surgiu de uma observação pedagógica: muitos fiéis católicos, especialmente crianças e jovens, perderam o contato com a riqueza simbólica dos tempos litúrgicos — as fases do calendário da Igreja que estruturam o ano cristão, como o Advento, a Quaresma, a Páscoa e o Tempo Comum. O toque dos sinos, elemento central na tradição da Igreja, também foi se tornando cada vez mais raro em comunidades urbanas.
Wander Moio identificou que faltava um instrumento pedagógico que tornasse esses conceitos tangíveis e interativos, especialmente para uso em catequese, salas de aula religiosas e ambientes familiares. A solução que ele desenvolveu combina a função de um relógio convencional com elementos visuais e sonoros que ensinam sobre o calendário litúrgico católico.
Como funciona o campanário didático
O produto é um relógio analógico com função de despertador e luminária, que incorpora representações visuais dos períodos litúrgicos do ano eclesiástico. Além de marcar o tempo convencional, o dispositivo inclui elementos que remetem ao campanário — a torre dos sinos —, símbolo presente em igrejas do mundo inteiro.
O inventor registrou o produto junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), garantindo proteção para o design e a funcionalidade específica do campanário didático. O processo de registro no INPI exigiu documentação técnica detalhada e descrição clara das funcionalidades que distinguem o produto de relógios convencionais já existentes no mercado.
O mercado para inovações voltadas a comunidades religiosas
O Brasil é o país com maior número de católicos do mundo — cerca de 123 milhões de pessoas, segundo o Censo 2023 do IBGE. Esse mercado representa uma oportunidade significativa para inventores que desenvolvem produtos voltados a práticas religiosas, especialmente quando combinam funcionalidade moderna com valores tradicionais.
Produtos para catequese e educação religiosa movimentam um segmento crescente da economia criativa brasileira. Editoras religiosas, fabricantes de artigos para igrejas e distribuidores de material catequético representam canais de distribuição naturais para invenções como o campanário didático.
A ANI orienta seus filiados a mapear esses canais antes de lançar um produto ao mercado, identificando distribuidores, associações de igrejas e feiras do setor que podem acelerar a adoção de novos produtos.
Da invenção à comercialização: os desafios do inventor brasileiro
Transformar uma invenção registrada em produto vendável exige mais do que criatividade. O inventor Wander Moio passou pelo processo típico que a ANI acompanha em centenas de casos: desenvolvimento do conceito, prototipagem, registro de propriedade intelectual e busca por licenciamento ou produção própria.
Para muitos inventores, o licenciamento — ceder o direito de produção a uma empresa em troca de royalties — é o caminho mais viável. A alternativa é a produção própria, que exige capital de giro, estrutura logística e capacidade de distribuição. A ANI oferece suporte em ambos os caminhos, conectando inventores a empresas interessadas em licenciar tecnologias e orientando sobre estruturação de contratos.
Perguntas Frequentes
O que é um campanário didático?
É um relógio analógico multifuncional com despertador e luminária, criado pelo professor Wander Marcelo Moio para ensinar os tempos litúrgicos católicos e a tradição do toque dos sinos. O produto está registrado no INPI.
Como registrar uma invenção no INPI?
O inventor deve depositar o pedido no site do INPI com descrição técnica, reivindicações e desenhos do produto. O custo do depósito varia de R$ 70 a R$ 395 para pessoa física. A análise leva em média 5 a 8 anos para patentes de invenção.
O que é licenciamento de patente?
É quando o titular da patente autoriza outra empresa a produzir e comercializar o produto em troca de royalties (percentual sobre as vendas). É uma alternativa à produção própria para inventores sem estrutura industrial.
Como a ANI ajuda inventores a comercializar suas criações?
A ANI oferece rede de contatos com empresas licenciadoras, orientação sobre contratos, participação em feiras de invenção e visibilidade midiática para inventores filiados. O suporte abrange desde a proteção intelectual até a negociação comercial.

