Cera de Carnauba: O Processo Patenteado e a Maior Riqueza do Cerrado Brasileiro

O empresário da cidade de Parnaíba no Piauí, Marc Theophile Jacon, desenvolveu um processo de produção de cera de carnauba (patente PI9202165) capaz de obter, a partir de qualquer pó cerífero da carnauba, uma cera amarela de primeira qualidade — resultado que antes só era possível com o pó das folhas novas da palmeira. A inovação inclui também uma melhoria no processo de secagem da palha, capaz de dobrar a produção anual de cera, gerando centenas de milhares de empregos nos estados do Piauí e do Ceará.

O Processo Patenteado de Obtenção de Cera Amarela

O processo desenvolvido por Jacon partiu da observação da tendência mundial de uso preferencial de ceras cada vez mais claras nos diferentes usos industriais. No processo patenteado, os pigmentos não são oxidados, mas sequestrados pela utilização adequada do processo produtivo — o que evita o aumento do índice de peróxido e o esmaeçimento de colorações adicionadas aos produtos finais.

A Carnaubeira: A Palmeira Nativa do Brasil

A cera de carnauba é uma cera vegetal obtida da extração do pó cerífero das palhas da palmeira Carnaubeira (Copernicia prunifera Mill.). Espécie nativa que cresce nos grandes vales do Piauí e do Ceará — e em menor extensão no Rio Grande do Norte e Maranhão —, a Carnaubeira não é exigente em tratos culturais e pode ser cultivada junto a outras atividades agropastoris.

A coleta é feita uma ou duas vezes por ano, denominada “corte”: são retiradas em média 60 folhas por palmeira, preservando sempre de 3 a 5 olhos (folhas novas). O período de corte começa 30 dias após o término das chuvas e vai até dezembro.

Produção, Exportação e Composição Química

A produção média de cera de carnauba é de 3,3 gramas por palha coletada. As exportações anuais atingem 15.000 toneladas, com consumo interno estimado em 2.500 toneladas — totalizando 17.500 a 18.000 toneladas por ano. Mais de 85% da cera se compõe de ésteres de ácidos graxos, com alto ponto de fusão (83°–85°C), tornando-a referência em polimentos industriais, eletrônica, chips e informática.

A demanda cresceu significativamente no Japão: de 1.700 toneladas por ano em 1993, chegou a 3.600 em 2001. A perspectiva de escassez de petróleo abre novos usos para a cera de carnauba, que pode substituir polímeros derivados do petróleo em diversas formulações.

Inovação no Processo de Secagem das Palhas

A empresa PVP S.A. e sua coligada Tropical Cîras do Brasil desenvolveram um secador de palhas construído com plástico flexível nas laterais e plástico transparente rígido na cobertura. Com ele, a palha seca em menos de 24 horas, resultando em pó cerífero com apenas 6% de impurezas e rendimento de 94% em cera final.

O rendimento do pó por palha sobe de 5,5 gramas para 7,8 gramas — um ganho de 100% sobre a secagem ao sol. Plantas de secadores para 10 e 20 mil palhas por dia estão disponíveis, com custo estimado entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. Os estados do Ceará e do Piauí já iniciaram projetos de construção de unidades dessas.

O que é cera de carnauba e para que serve?

A cera de carnauba é uma cera vegetal extraída das palhas da Carnaubeira (Copernicia prunifera), palmeira nativa do Nordeste brasileiro. Com alto ponto de fusão (83°–85°C), é usada em polimentos industriais, eletrônica, chips, informática e cosméticos, sendo o Brasil o principal produtor e exportador mundial.

Qual é a diferença entre os tipos de cera de carnauba?

O tipo 1 são ceras amarelas, obtidas do pó das folhas novas. O tipo 3 são ceras pardas clareadas quimicamente. O processo patenteado por Marc Theophile Jacon (PI9202165) permite obter cera tipo 1 a partir de qualquer pó cerífero da carnaubeira, inclusive o das folhas adultas.

Como é feita a coleta das palhas de carnauba?

A coleta, chamada de corte, é feita uma ou duas vezes por ano. São retiradas em média 60 folhas por palmeira, sempre preservando de 3 a 5 olhos (folhas novas). O período de corte começa 30 dias após o término das chuvas e se estende até dezembro.