O Brasil é reconhecido pela qualidade de sua produção científica, mas ainda enfrenta grandes desafios quando o assunto é transformar pesquisa em inovação protegida e competitiva no cenário global. Um exemplo emblemático é o caso da polilaminina, uma descoberta científica desenvolvida no país com alto potencial na área da saúde, que acabou ficando sem proteção internacional.
A pesquisa foi conduzida pela professora e pesquisadora Tatiana Sampaio, e ganhou destaque por suas possíveis aplicações em estudos de regeneração neural e terapias avançadas. Do ponto de vista científico, trata-se de uma contribuição relevante, reconhecida academicamente e fruto de anos de pesquisa em universidade pública.
No entanto, apesar do valor científico da descoberta, o Brasil não conseguiu manter a patente internacional da tecnologia. Diferentemente do que muitos imaginam, a perda da proteção fora do país não está relacionada à falta de inovação ou mérito técnico, mas sim a fatores estruturais e financeiros.
O registro e a manutenção de patentes internacionais exigem investimentos contínuos: pagamento de taxas em múltiplos países, acompanhamento jurídico especializado e uma estratégia de longo prazo para proteção da propriedade intelectual. Com a redução de recursos destinados à pesquisa e às universidades, esses custos se tornaram inviáveis, levando ao abandono da patente em outros mercados.
A consequência dessa perda vai além do campo jurídico. Sem proteção internacional, a tecnologia deixa de ter exclusividade global, permitindo que instituições e empresas estrangeiras avancem em aplicações semelhantes, enquanto o país de origem perde competitividade, retorno econômico e protagonismo tecnológico.
O caso da polilaminina evidencia um problema recorrente no ecossistema de inovação brasileiro: produz-se ciência de excelência, mas nem sempre há condições para protegê-la e levá-la ao mercado de forma estratégica. Ciência, inovação e propriedade intelectual precisam caminhar juntas para que descobertas nacionais não fiquem restritas ao ambiente acadêmico — nem sejam aproveitadas apenas fora do Brasil.
Mais do que um episódio isolado, este é um alerta sobre a importância de políticas consistentes de fomento, proteção intelectual e transferência de tecnologia, capazes de garantir que o conhecimento gerado no país se transforme em impacto real para a sociedade.

