Câmbio Hidramático: Como Funciona o Sistema Automático de Transmissão a Óleo

A presente invenção tem por fim a substituição da caixa de mudança de velocidade do diferencial, da embreagem, do eixo de transmissão e do freio de atrito de lona por um novo sistema de transmissão a óleo. O sistema é composto dos seguintes componentes patenteados: turbo compressor, compensador de esforço, válvula de comando, tubo motor e engachetamento. As vantagens incluem: 10 mudanças automáticas para a frente e 10 para a ré, facilidade de manejo, força motriz nas quatro rodas, freios que nunca precisam ser regulados, saída inicial rápida e macia, rodas independentes, não haver perigo de derrapagem e a capacidade de passar com facilidade em atoleiros.

Componentes do Sistema de Transmissão Hidramática

O novo sistema é formado por cinco componentes principais:

Turbo compressor — novo sistema de compressor rotativo, tipo turbina, para impulsionar o óleo, ligado diretamente no eixo manivela do motor de explosão.

Compensador de esforço — aparelho que regula automaticamente a diferença de esforço e a relação entre as rotações das rodas e do motor, realizando as 10 mudanças e rodas livres automaticamente. É montado junto ao turbo compressor.

Válvula de comando — destinada a dar marcha a frente, a ré, ponto morto, a freiar e a distribuir força motriz para as quatro rodas, substituindo o diferencial. Comandada por um único pedal e uma alavanca no volante.

Turbo motores — novo sistema de motores rotativos baseados no princípio das turbinas, que trabalham com a pressão do óleo. São montados dentro de cada uma das quatro rodas, aumentando a estabilidade do veículo.

Engachetamento — garantidos contra vazamento de óleo, muito resistentes e simples. Montados no compensador e em cada um dos quatro motores das rodas.

Como Funciona o Sistema de Transmissão a Óleo

Com o carro parado, o motor aciona as bombas, que aspiram o óleo do depósito e o enviam para o compensador, daí para a válvula, que em ponto morto faz o ciclo retornar ao depósito sem passar pelas rodas. Com o carro em marcha, o óleo é direcionado aos motores das quatro rodas, retornando ao depósito após passar pelas rodas.

O compensador de esforço é o núcleo do sistema: consiste de dois cilindros (maior e menor) ligados na mesma linha de centros, com êmbolos no mesmo eixo. O cilindro menor tem 10 aberturas correspondentes às bombas. À medida que as rodas começam a girar, a diferença de pressão nos cilindros vai movendo o êmbolo, que ativa progressivamente mais bombas — da 1ª à 10ª — aumentando a rotação até a velocidade máxima. Em subidas, o compensador redireciona automaticamente as bombas necessárias sem forçar o motor.

História do Câmbio Automático: da Contribuição Brasileira ao Hydra-Matic

Os primeiros automóveis ofereciam apenas marchas manuais. O francês Gaston Fleischel apresentou o primeiro sistema de transmissão automático em 1936 num Peugeot 202, mas suas patentes foram tomadas pelos americanos durante a guerra. O Hydra-Matic da General Motors, introduzido em 1939 nos modelos Oldsmobile de 1940, foi o primeiro câmbio completamente automático da história.

A invenção dos brasileiros Fernando Iehly de Lemos e José Braz Araripe foi vendida à GM em 1932 e contribuiu para o desenvolvimento do sistema Hydra-Matic. Fernando Iehly foi também inventor de um cavalete para prancheta de desenho, recebendo a patente de modelo de utilidade n. 29.310 em julho de 1941.

Em 1904, os irmãos Sturtevant de Boston desenvolveram o primeiro câmbio automático com duas velocidades por forças centrífugas. Em 1934, a Reo criou o Self-Shifter combinando dois sistemas em série. Em 1937, Buick e Oldsmobile lançaram o Automatic Safety Transmission, precursor direto do Hydra-Matic. A Chrysler aperfeiçoou o sistema e lançou em 1941 o Fluid Drive, embora ainda semi-automático.

O que é o câmbio hidramático e quais suas principais vantagens sobre o câmbio manual?

O câmbio hidramático é um sistema de transmissão automática que usa óleo pressurizado para realizar as trocas de marcha, eliminando a necessidade de embreagem manual. Oferece 10 marchas automáticas nos dois sentidos, frenagem nas quatro rodas sem desgaste de lona e arranque suave. O motorista opera apenas um pedal para frear e uma alavanca para seleção de direção.

Qual foi a contribuição brasileira para o câmbio automático moderno?

Fernando Iehly de Lemos e José Braz Araripe desenvolveram uma invenção de transmissão automática que foi vendida à General Motors em 1932. Essa tecnologia contribuiu para o desenvolvimento do Hydra-Matic, lançado pela GM em 1939 e considerado o primeiro câmbio completamente automático da história automotiva mundial. Fernando Iehly também patenteou outros inventos, como um cavalete para prancheta de desenho (patente n. 29.310, 1941).

Como funciona o câmbio automático atual em comparação com o hidramático?

O câmbio hidramático operava com bombas hidráulicas e compensadores mecânicos para detectar a carga e selecionar marchas. Os câmbios automáticos modernos usam unidades de controle eletrônico (TCU) e conversores de torque para fazer esse trabalho com mais precisão e eficiência. O princípio da transmissão a óleo (fluido hidráulico) permanece o mesmo, mas os sensores eletrônicos substituíram os mecanismos puramente mecânicos.