Virtual Vision

Um encontro ocorrido no dia 19 de fevereiro de 1999 ficará marcado para sempre na memória de Laércio Sant’Anna, cliente do banco Bradesco e analista de sistemas da Companhia de Processamento de Dados do Município de São Paulo, a Prodam. Afinal, foi dele a ideia de propor à instituição financeira uma ferramenta que possibilitasse o uso do serviço de Internet banking por parte dos deficientes visuais. Realizada na chuvosa cidade de Redmond, nas cercanias de Seattle (EUA), onde está localizada a sede da Microsoft Corporation, a reunião incluiu, entre outras pessoas, Sant’Anna, Odécio Grégio, diretor de produtos de informática do Bradesco, e o presidente da Microsoft, Steve Ballmer.

 

No centro das atenções estava o Virtual Vision, um software que permite o acesso de deficientes visuais aos serviços do Bradesco via Internet, bem como a utilização de funções do Windows e a leitura de qualquer texto no computador. Fruto de três anos de desenvolvimento em uma parceria que reuniu também a Scopus e a Micropower, o Virtual Vision chamou a atenção do presidente da Microsoft pelo ineditismo e também por demonstrar uma grande preocupação social do Bradesco. “Sempre estivemos atentos em levar as vantagens da tecnologia aos nossos clientes, com qualidade e segurança. A proposta é estender todas as facilidades proporcionadas pela tecnologia para o maior número de clientes possível”, enfatiza Grégio.

A iniciativa já rendeu pelo menos um reconhecimento de peso, pois o Bradesco foi indicado para concorrer para o Computerworld Smithsonian Award, prêmio de alcance mundial oferecido anualmente às grandes inovações em tecnologia dedicada à computação, tendo sido classificado entre os cinco trabalhos finalistas. Foi o primeiro trabalho brasileiro a concorrer ao prêmio.

Cego desde que nasceu, Sant’Anna já trabalhava com informática na época e era cliente do Bradesco. “Eu queria acessar o sistema de home banking, mas não estava conseguindo. Entrei em contato com a minha agência e eles sugeriram que eu escrevesse uma carta para a direção do banco”, relembra. Odécio Grégio, diretor de produtos de informática do Bradesco, lembra bem desse dia. “Tenho a carta guardada até hoje”, observa. Ele explica que, após várias pesquisas, o programa escolhido para ajudar os deficientes visuais a operar o computador foi o Virtual Vision, da Micropower (www.micropower.com.br). “Colocamos a Scopus, uma empresa do grupo, para ajudar na adaptação do sistema, que possui um sintetizador de voz que lê a tela do micro e também fala, na medida em que o usuário vai digitando.”

Para surpresa de todos, o autor da carta era deficiente visual mas já acessava o Telebradesco Residência Videotexto. Como ele trabalhava como analista de sistemas na Prodam – Centro de Processamento de Dados do Estado de São Paulo, a empresa disponibilizou para ele um programa importado com sintetizador de voz, que funciona com o sistema operacional MS-DOS e que permitia que ele trabalhasse sem problemas em sua área. Esse programa custa em torno de 5 mil dólares. Preocupado com as outras pessoas também portadoras de deficiência visual, Laércio Sant’Anna resolveu escrever a carta para dizer que já era possível que deficientes visuais trabalhassem com o computador, só que era necessário que esse sistema fosse mais acessível. “A partir da carta do Laércio, o Bradesco resolveu encarar o desafio de criar um produto para que seus clientes portadores de deficiência visual pudessem usufruir dos serviços do banco via Internet”, conta José Custódio, gerente de novos produtos da Scopus, empresa de tecnologia do grupo Bradesco.

O Virtual Vision foi lançado pela MicroPower em janeiro de 1998, para Windows 95, Office 95 e Internet Explorer 3.02. Ele utiliza o primeiro sintetizador de alta qualidade da língua portuguesa, chamado DeltaTalk, também desenvolvido pela MicroPower. O texto pode ser pronunciado de várias formas, letra por letra, palavra por palavra, frase por frase, etc, o próprio usuário pode determinar suas preferências. O Virtual Vision “diz” para o usuário qual site está abrindo, o endereço da página; quando ele necessita ler o conteúdo, basta acionar um comando para que o computador leia o texto. Em abril de 1998 o Bradesco procurou a MicroPower para desenvolver o Bradesco Net para Deficientes Visuais e logo em agosto do mesmo ano é lançado o Bradesco Net Internet Banking para Deficientes Visuais. Até agora, 3,5 mil correntistas procuraram o Bradesco para receber o produto.

 

Fonte:

http://www.microsoft.com/brasil/financas/revista/num001/raiox.stm

http://www.disabilityworld.org/March2000/English/InternetBanking.html

http://www.micropower.com.br/dv/vvision/historic.asp

http://www.bradesco.com.br/indexdvisual.html

http://www.microsoft.com/enable/news/brazil0299.htm

http://www.jt.estadao.com.br/suplementos/info/2000/04/27/info015.html

http://news.curriculum.com.br/0015/destaque/n_00.asp

http://www2.correioweb.com.br/cw/2000-09-26/mat_10471.htm

 

acesso em abril de 2002

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